sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Dia das bruxas - Halloween

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Dia das Bruxas  é uma celebração observada em vários países, principalmente no mundo anglófono, em 31 de outubro, véspera da festa cristã ocidental do Dia de Todos os Santos. Ela começa com a vigília de três dias do Allhallowtide, o tempo do ano litúrgico dedicado a lembrar os mortos, incluindo santos (hallows), mártires e todos os fiéis falecidos.
Acredita-se que muitas das tradições do Halloween originaram-se do antigo festival celta da colheita, o Samhain, e que esta festividade gaélica foi cristianizada pela Igreja primitiva. O Samhain e outras festas também podem ter tido raízes pagãs. Alguns, no entanto, apoiam a visão de que o Halloween começou independentemente do Samhain e tem raízes cristãs.
Entre as atividades de Halloween mais comuns, estão festas a fantasia, praticar "doce ou travessura", decorar a casa, fazer lanternas de abóborafogueiras, jogos de adivinhação, ir em atrações "assombradas", contar histórias assustadoras e assistir filmes de terror. Em muitas partes do mundo, as vigílias religiosas cristãs de Halloween, como frequentar os cultos da igreja e acender velas nos túmulos dos mortos, permanecem populares, embora em outros lugares é seja uma celebração mais comercial e secular.] Alguns cristãos historicamente se abstém de carne no Dia das Bruxas.
A origem do Halloween traz às tradições dos povos que habitaram a Gália e as ilhas da Grã-Bretanha entre os anos 600 a.C. e 800 d.C., embora com marcas das diferenças em relação às atuais abóboras ou da muita famosa frase "doces ou travessuras", exportada pelos Estados Unidos, que popularizaram a comemoração. Originalmente, o Halloween não tinha relação com bruxas. Era um festival do calendário celta da Irlanda, o festival de Samhain, celebrado entre 30 de outubro e 2 de novembro e marcava o fim do verão (samhain significa literalmente "fim do verão").
A celebração do Halloween tem duas origens que no transcurso da História foram se misturando:

Origem pagã

A origem pagã do "dia das bruxas" tem a ver com a celebração celta chamada Samhain, que tinha como objetivo dar culto aos mortos e à deusa YuuByeol (símbolo antigo da perfeição celta). A invasão das Ilhas Britânicas pelos Romanos (46 A.C.) acabou unindo a cultura latina com a celta, sendo que esta última acabou minguando com o tempo.
Em fins do século II, com a evangelização desses territórios, a religião dos Celtas, chamada druidismo, já tinha desaparecido na maioria das comunidades. Pouco sabemos sobre a religião dos druidas, pois não se escreveu nada sobre ela: tudo era transmitido oralmente de geração para geração. Sabe-se que as festividades do Samhan eram celebradas muito possivelmente entre os dias 5 e 7 de novembro (a meio caminho entre o equinócio de outono e o solstício de inverno, no hemisfério norte). Eram precedidas por uma série de festejos que duravam uma semana, e davam ao ano novo celta.
A "festa dos mortos" era uma das suas datas mais importantes, pois celebrava o que para os cristãos seriam "o céu e a terra" (conceitos que só chegaram com o cristianismo). Para os celtas, o lugar dos mortos era um lugar de felicidade perfeita, onde não haveria fome nem dor. As festas eram presididas pelos sacerdotes druidas, que atuavam como "médiuns" entre as pessoas e os seus antepassados. Dizia-se também que os espíritos dos mortos voltavam nessa data para visitar seus antigos lares e guiar os seus familiares rumo ao outro mundo.

Origem católica

Desde o século IV a Igreja da Síria consagrava um dia para festejar "Todos os Mártires". Três séculos mais tarde o Papa Bonifácio IV († 615) transformou um templo romano dedicado a todos os deuses (Panteão) num templo cristão e o dedicou a "Todos os Santos", a todos os que nos precederam na fé. A festa em honra de Todos os Santos, inicialmente era celebrada no dia 13 de maio, mas o Papa Gregório III († 741) mudou a data para 1 de novembro, que era o dia da dedicação da capela de Todos os Santos na Basílica de São Pedro, em Roma. Mais tarde, no ano de 840, o Papa Gregório IV ordenou que a festa de Todos os Santos fosse celebrada universalmente.
Como festa grande, esta também ganhou a sua celebração vespertina ou vigília, que prepara a festa no dia anterior (31 de outubro). Na tradução para o inglês, essa vigília era chamada All Hallow’s Eve (Vigília de Todos os Santos), passando depois pelas formas All Hallowed Eve e "All Hallow Een" até chegar à palavra atual "Halloween".
Se analisarmos o modo como o Halloween é celebrado hoje, veremos que pouco tem a ver com as suas origens: só restou uma alusão aos mortos, mas com um carácter completamente distinto do que tinha ao princípio. Além disso foi sendo pouco a pouco incorporada toda uma série de elementos estranhos tanto à festa de Finados como à de Todos os Santos.
Entre os elementos acrescidos, temos por exemplo o costume dos "disfarces", muito possivelmente nascido na França entre os séculos XIV e XV. Nessa época a Europa foi flagelada pela Peste Negra e a peste bubônica dizimou perto da metade da população do Continente, criando entre os católicos um grande temor e preocupação com a morte.
Multiplicaram se as Missas na festa dos Fiéis Defuntos e nasceram muitas representações artísticas que recordavam às pessoas a sua própria mortalidade, algumas dessas representações eram conhecidas como danças da morte ou danças macabras.
Alguns fiéis, dotados de um espírito mais burlesco, costumavam adornar na véspera da festa de finados as paredes dos cemitérios com imagens do diabo puxando uma fila de pessoas para a tumba: papas, reis, damas, cavaleiros, monges, camponeses, leprosos, etc. (afinal, a morte não respeita ninguém). Também eram feitas representações cênicas, com pessoas disfarçadas de personalidades famosas e personificando inclusive a morte, à qual todos deveriam chegar.
Na Idade Média, um costume do Dia de Finados era o souling (de "soul", alma), em que crianças iam pedindo pelas portas um bolo, o "bolo das almas", em troca do qual fazia uma oração pelos familiares falecidos de quem lhes dava o bolo[18]. Essa tradição poderá ter evoluído para a tradição de pedir um doce, sob ameaça de fazer uma travessura (trick or treat, "doce ou travessura"), que teve possivelmente origem na Inglaterra, no período da perseguição protestante contra os católicos (1500-1700).
Nesse período, os católicos ingleses foram privados dos seus direitos legais e não podiam exercer nenhum cargo público. Além disso, foram lhes infligidas multas, altos impostos e até mesmo a prisão. Celebrar a missa era passível da pena capital e centenas de sacerdotes foram martirizados. Produto dessa perseguição foi a tentativa de atentado contra o rei protestante Jorge I. O plano, conhecido como Gunpowder Plot ("Conspiração da pólvora"), era fazer explodir o Parlamento, matando o rei, e assim dar início a um levante dos católicos oprimidos. A trama foi descoberta em 5 de novembro de 1605, quando um católico converso chamado Guy Fawkes foi apanhado guardando pólvora na sua casa, tendo sido enforcado logo em seguida.
Em pouco tempo a data converteu se numa grande festa na Inglaterra (que perdura até hoje): muitos protestantes a celebravam usando máscaras e visitando as casas dos católicos para exigir deles cerveja e pastéis, dizendo-lhes: trick or treat (doce ou travessuras). Mais tarde, a comemoração do dia de Guy Fawkes chegou à América trazida pelos primeiros colonos, que a transferiram para o dia 31 de outubro, unindo a com a festa do Halloween, que havia sido introduzida no país pelos imigrantes irlandeses.
Vemos, portanto, que a atual festa do Halloween é produto da mescla de muitas tradições, trazidas pelos colonos no século XVIII para os Estados Unidos e ali integradas de modo peculiar na sua cultura. Muitas delas já foram esquecidas na Europa, onde hoje, por colonização cultural dos Estados Unidos, aparece o Halloween enquanto desaparecem as tradições locais.


fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Dia_das_bruxas

sábado, 22 de outubro de 2016

PARA REFLETIR - CAMINHOS DO OURO





Entre os séculos XV e XVIII, 50% de todo o ouro produzido no mundo foi extraído do Brasil, sendo que 70% desse total saiu da capitania de Minas Gerais.
Mas como explicar que, apesar disso, a imensa maioria da população local tenha vivido numa situação de extrema pobreza, chegando muitas vezes a passar fome?
É que só uma parte pequena do ouro ficou aqui.Com essa parte, foram construídos, por exemplo, os altares de algumas igrejas mineiras e baianas.A maior parte do ouro e dos diamantes ia para Portugal.Lá, uma pequena porção era usada em construções monumentais, como o Convento de Mafra.Já a maior parte servia ao pagamento das contas externas portuguesas: cerca de 50 % do total de ouro obtido no Brasil entre 1720 e 1797, por exemplo, foi gasto para pagar as mercadorias que Portugal comprava da Inglaterra.Dessa forma, o ouro brasileiro acabou contribuindo para que a Inglaterra liderasse a Revolução Industrial no século XVIII.

sábado, 15 de outubro de 2016

HABEAS CORPUS : DIREITO DE TODOS



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Uma das grandes conquistas da Revolução Inglesa foi o habeas corpus, princípio pelo qual ninguém pode ficar sem a ordem expressa de um juiz.Assim, o habeas corpus limitou os abusos de autoridade, comuns na Inglaterra absolutista.Hoje, o habeas corpus existe na Constituição de muitos países, inclusive na do Brasil.
O habeas corpus proíbe que a polícia invada a casa de alguém para realizar uma investigação ou prenda uma pessoa sem mandato judicial.Também proíbe que alguém seja preso apenas por ser considerado suspeito de algum crime.Para que alguém seja preso e condenado, é preciso que todos os seus direitos garantidos por lei sejam respeitados durante o processo.Qualquer pessoa, mesmo que não seja um advogado, pode dar entrada em pedido de habeas corpus em sua própria defesa.

HABEAS CORPUS : DIREITO DE TODOS



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Uma das grandes conquistas da Revolução Inglesa foi o habeas corpus, princípio pelo qual ninguém pode ficar sem a ordem expressa de um juiz.Assim, o habeas corpus limitou os abusos de autoridade, comuns na Inglaterra absolutista.Hoje, o habeas corpus existe na Constituição de muitos países, inclusive na do Brasil.
O habeas corpus proíbe que a polícia invada a casa de alguém para realizar uma investigação ou prenda uma pessoa sem mandato judicial.Também proíbe que alguém seja preso apenas por ser considerado suspeito de algum crime.Para que alguém seja preso e condenado, é preciso que todos os seus direitos garantidos por lei sejam respeitados durante o processo.Qualquer pessoa, mesmo que não seja um advogado, pode dar entrada em pedido de habeas corpus em sua própria defesa.

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

PARA REFLETIR - A PERDA DO NOME


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Na hora do embarque para o Brasil, o africano era ''batizado'', ou seja, perdia seu nome original  e passava ter um nome português ( sem nenhum significado para ele).Para certos povos africanos isso era ainda mais doloroso, pois, em muitos lugares da África, o nome dado a uma pessoa tem um significado especial. O nome português, dado no batismo, devia servir para apagar da memoria do africano todo seu passado: sua família, seus amigos, sua língua e seu lugar de origem.

sábado, 6 de agosto de 2016

De novo, tudo de novo…

De novo, tudo de novo…
Eis ai de novo, o mesmo erro que você sempre comete. Quando é que você vai aprender e mudar? O ciclo começa no entanto mais uma vez. Você pede a Deus pra te perdoar mas o mais difícil é se perdoar. Por mais que você se diga que essa será a última vez, no fundo você sabe estar se enganando mais uma vez.

Qual é o problema com os erros persistentes? Por que é tão difícil se livrar deles?

Davi teve este problema até que um dia tornou-se tarde demais e ele teve que pagar um preço bem alto por isso. Ele era aquele homem de Deus incrível. Ele tinha tudo, o Espírito Santo, fé, caráter, coragem, boa formação, experiências, boa aparência e muito mais. Mas ele tinha um defeito: as mulheres. E assim, já que ele era um rei, ele desfrutou da “liberdade” de se casar com muitas delas para que assim tivesse muitos descendentes.

E apesar de saber ser isto uma fraqueza e de que com certa freqüência, seus filhos de diferentes esposas entrariam em conflito entre si, ele simplesmente não conseguia resistir a ter novas esposas. Num dia um tanto ocioso, quando decidiu ficar no palácio e se omitir da guerra por alguns dias, ele avistou então uma outra mulher do seu terraço. Ela estava se banhando e ele simplesmente não pôde resistir. Ele tinha que possuí-la, ainda que fosse por apenas uma noite.

Bate-Seba era casada com um de seus soldados, que estava fora, lutando na guerra, e ao invés de se sentir culpado pelo pensamento de possuir a esposa dele por uma noite, Davi se aproveitou de sua ausência.

Este erro custou caro a Davi. Bate-Seba engravidou e Davi teve que eventualmente enviar o marido dela para morrer na linha dianteira da guerra. Ele se casou com ela mais tarde e o bebê deles morreu. Mais pra frente, seus filhos se rebelaram contra ele e Davi teve que fugir de seu país. O seu segundo filho com Bate-Seba se tornou o rei Salomão e sabe o que lhe fez cair feio? Mulheres!

Tanta coisa aconteceu com Davi após cometer ainda outro mesmo erro…sem precisar mencionar toda a dor de cabeça com os seus filhos lutando entre si e se rebelando contra ele todos os dias da sua vida…

Voltando à pergunta anterior… Como evitar cometer os mesmos erros de sempre tudo de novo então?

Fuja deles. Evite o terraço que a leva a cair toda vez.

Se a sua fraqueza são mulheres ou homens, fique longe deles. Se é roubar ou mentir, evite situações em que você sabe que poderá cair de novo. Seja sábia para o seu próprio bem. Os erros sempre voltam para caçar as suas vítimas. Deixe de ser uma vítima das suas próprias fraquezas.

Na fé,


Cristiane Cardoso

terça-feira, 28 de junho de 2016

A Revolução Pernambucana de 1817




O movimento revolucionário em Pernambuco irrompeu a 6 de março, quando as
tropas luso-brasileiras já haviam ocupado Montevidéu (20 de janeiro), com a
expulsão dos guerrilheiros de Artigas, enquistados na capitania de São Pedro do
Rio Grande do Sul, nas operações de limpeza em São Borja, Ibicoraí e Carumbé,
e subseqüente invasão da Banda Oriental, levando os adversários de vencida em
Índia Muerta e Catalán, embora tudo isso significasse o prelúdio de uma guerra
que se vai arrastar sem solução definitiva, mesmo depois da criação da Província
Cisplatina (31 de julho de 1821).
As causas da revolução pernambucana podem ser definidas como um protesto do
Norte contra a hegemonia do Sul. Pernambuco não se acomodará facilmente à
condição de "colônia do Estado irmão mais moço", nas palavras de Handelmann,
em sua História do Brasil, remetendo obrigatoriamente para a manutenção da
corte uma boa parte de suas rendas, o que aliás acontecia com todas as demais
capitanias. Os habitantes do Recife - para citar um só exemplo - pagavam um
imposto mensal destinado à iluminação pública do Rio de Janeiro. Daí o ciúme de
Pernambuco, diante da soma enorme de benefícios que tornariam a região
fluminense a mais favorecida de todas, no período joanino, em detrimento das
mais distantes, no conjunto inorgânico que era o Brasil daquele tempo.
Em Pernambuco, as aspirações de autonomia reaparecem num período de
retração econômica ocasionada pela baixa do preço do açúcar e pela brusca
supressão das exportações de algodão, era conseqüência dos acordos com a
Grã-Bretanha. As operações no Rio da Prata impunham, além do mais, a
cobrança de novos tributos sobre as receitas alfandegárias, a fim de custear as
despesas com o corpo expedicionário. A Pernambuco pouco se lhe dava que
fosse ou não incorporado o território da Banda Oriental ao império luso-brasileiro.
Daí a conspiração que encontrou campo favorável nas antigas diferenças entre
reinóis e mazombos.
Sob orientação clerical, o movimento deveria ter início no domingo da Páscoa
(coincidente em 1817 com o mês de abril), comemorando-se a ressurreição de
Cristo com a da pátria. No entanto, uma rixa de quartel, que culminou com o
assassino de dois oficiais superiores, ambos portugueses, antecipou a
deflagração. A república pernambucana não teria duração maior do que 75 dias. O
conde dos Arcos enviou duas expedições militares a Pernambuco, uma naval e
outra terrestre, "com uma presteza que não era de esperar na índole portuguesa",
segundo o relatório do cônsul Maler ao governo francês. Pelos seus cálculos,
concentraram-se em Pernambuco cerca de 8 mil homens para debelar a revolução, que teve no padre João Ribeiro Pessoa de Melo Montenegro o seu grande herói.
Com uma espingarda e um saco contendo o arquivo da república aos ombros, o
padre João Ribeiro acompanhou, descalço, a retirada do exército rebelde até o
engenho Paulista, onde foi decidida a debandada. Dirigiu-se em seguida à igreja e
ali queimou os papéis que poderiam comprometer os seus companheiros,
suicidando-se junto ao altar-mor. Remetidos para a Bahia, foram executados
Domingos José Martins, José Luís de Mendonça e o padre Miguelinho. No Recife,
tiveram o mesmo fim. Antônio Henriques, Domingos Teotônio Jorge, José de
Barros Lima (o Leão Coroado) e o padre Pedro de Sousa Tenório E os da
Paraíba: José Peregrino de Carvalho, Amaro Gomes da Silva Coutinho, Francisco
José da Silveira, Inácio Leopoldo de Albuquerque Maranhão e o padre Antônio
Pereira de Albuquerque. A cabeça do padre João Ribeiro, decepada, foi exposta
no pelourinho da cidade irredenta.
CONSPASSO DE ESPERA
A corte festejou com foguetes, repiques de sino e luminárias a notícia da
derrocada da revolução pernambucana. Vitorioso no Sul e Norte, consolidadas as
posições militares no Rio da Prata e extinto o movimento sedicioso em
Pernambuco, D. João protelou mais uma vez a cerimônia da sua aclamação. A
morte da rainha, aos 81 anos (20 de março de 1816), ocorrera num dos instantes
mais agudos da crise platina. D. João parecia não ter pressa. Antes de ser
aclamado rei de Portugal, Brasil e Algarves, reclamava sua atenção e vigilância
assunto mais sério do que festas, o problema de conter a pressão inglesa, agora
de parceria com a Espanha, no sentido do regresso imediato da família real e de
uma composição amigável com Fernando VII, de novo reposto no trono da
Espanha, aliado também da Rússia, que se dispunha a fornecer-lhe todos os
recursos, em armas e soldados, para uma expedição vingadora na América do Sul.
Estavam de cima os janeiristas, isto é, aqueles que, com o conde da Barca à
frente, eram pela continuação da corte no Rio de Janeiro. D. João procurava
compor-se com Fernando VII, estabelecendo uma dupla aliança com os Bourbons
da Espanha, através do casamento simultâneo das princesas Maria Isabel e Maria
Francisca, a primeira com o próprio rei e a segunda com o herdeiro presuntivo,
príncipe D. Carlos Maria Isidro, que seguiriam para Madrid ao mesmo tempo em
que chegavam ao Rio de Janeiro as primeiras levas de soldados portugueses,
veteranos da guerra peninsular, que haviam sido requisitados para o policiamento da fronteira sulina.
A aliança entre a casa de Bragança e a dos Habsburgos seria outro golpe
estratégico de D. João, em meio aos fogos cruzados das potências européias, não
só da Grã-Bretanha, Espanha e Rússia, como também da França , contra a sua
política de anexação da Banda Oriental. Já o ensaiara em 1814, mas sem êxito,
nas sondagens sobre a possibilidade do casamento da infanta D. Isabel Maria.
com o príncipe imperial da Áustria, Ferdinando, herdeiro do trono.
Em 1816, voltará a insistir, e de modo espetacular, renovando não apenas a
sugestão anterior, como propondo os consórcios do príncipe herdeiro de Portugal
e do Brasil com uma das filhas de Francisco I e da princesa D. Maria Teresa, e da
viúva do infante espanhol D. Pedro Carlos, com o grão-duque da Toscana, irmão
do imperador da Áustria,. com respeito a D. Pedro, que contava apenas 18 anos, o
pai havia recusado duas propostas: do duque da Calábria e da rainha da Etrúria.
Falou-se ainda nas vantagens de casar o príncipe herdeiro com a princesa Ana,
irmã do czar da Rússia, Alexandre I, neutralizando-o assim na sua propalada
ajuda ao governo espanhol.
A ALIANÇA COM A ÁUSTRIA
O que D.João pretendia de fato era a aliança com a Áustria e o apoio de
Metternich, idealizador da Santa Aliança, às reivindicações portuguesas no Prata,
que bastariam para justificar a necessidade de o rei continuar no Brasil, acabando
de uma vez por todas com as pressões pelo seu regresso imediato a Lisboa. Tudo
isso ficou bem claro nas instruções "secretíssimas" remetidas pelo marquês de
Aguiar a Marialva, negociador dos casamentos, sobretudo no parágrafo adiante
transcrito:
Não escapou à perspicácia de S.A.R. ( D. João ) um embaraço que pode ocorrer
nessa negociação e é o de desejar S.M.I. (Francisco I), antes de decidir-se, saber
com certeza se S.A.R. conta regressar ou não a Portugal; e para remover este
embaraço, manda-me o mesmo Senhor participar confidencialmente a Vm.ce
(para fazer uso discreto, segundo as ocorrências) que o seu real intento é
regressar à Europa, logo que haja conseguido preservar este Reino do Brasil do
contagioso espírito revolucionário que conflagra pelas colônias espanholas; e que
outrossim tenha inteiramente estabelecido e consolidado a pôr em prática, para o
fim de estreitar os enlaces entre Portugal e o Brasil, e as demais possessões da
Coroa Portuguesa, e de conseguintemente haver entre todas aquela união e
identidade que há de ser o mais sólido fundamento da progressiva prosperidade
de sua monarquia; e acrescendo que, no entretanto que S.A.R. completa com a
possível brevidade esta grande obra (que pode mesmo talvez utilizar ao sistema
político da Europa pelos tratados de Paris e Viena); e por conseguinte o mesmo
Senhor poderá então sem susto de futuras subversões restituir-se á sua Corte em
Lisboa. Tais são as graves e atendíveis razões que Vm.ce alegará (se preciso for)
para dissolver qualquer hesitação de S.M.I. a esse respeito.
D. João nada tinha de açodado. Era lento, deixava que as coisas amadurecessem
com o tempo. Como ficou assinalado, ao assumir o poder (fevereiro de 1792), pelo
impedimento da mãe, não se intitulou regente de pronto, e sim depois de sete
anos (junho de 1799). Esperou a morte da rainha (20 de março de 1816) e ao
completar 51 anos (13 de maio de 1816), decorridos 24 anos de governo, ratificou
a carta de lei de 16 de dezembro de 1815, criando o Reino Unido de Portugal,
Brasil e Algarves. Os representantes do monarca que compareceram ao
Congresso de Viena já seriam, portanto, ministros plenipotenciários que falavam em defesa da monarquia dual luso-brasileira, com sede no Rio de Janeiro desde
1808.
O REI ACLAMADO
Revestida de grande pompa, acarretando enormes despesas ao erário, e mesmo
ás economias particulares de D. João, que tinha fama de avaro, a missão de
Marialva atingiu em cheio pelo menos um, e o mais importante, do seu tríplice
objetivo: o casamento de D. Pedro com D.Carolina Josefa Leopoldina,
arquiduquesa da Áustria, segunda filha de Francisco I. Metternich apoiaria, enfim,
contra a Grã-Bretanha e a Espanha, a ocupação portuguesa de Montevidéu.
Efetuou-se o contrato matrimonial, no dia em que D. João completava 50 anos (13
de maio de 1817), e D. Leopoldina partiu para a ltália, a caminho do Brasil.
A comitiva foi contudo retida em Livorno, não só pela demora da esquadra
portuguesa que a devia transportar para o Rio de Janeiro, como pelas notícias do
movimento revolucionário em Pernambuco e, depois, da conspiração de Gomes
Freire de Andrade em Portugal. A diplomacia britânica pôs-se em campo,
sugerindo ao governo austríaco que a princesa deveria retornar a Viena ou seguir
para Lisboa, onde aguardaria a volta iminente da família real portuguesa. No
mesmo sentido, manobrou D. Carlota Joaquina, pedindo ao irmão Fernando VII
sua interferência junto a Francisco I, tomando o pretexto para abreviar o regresso
a Lisboa. Metternich mostrou-se impressionado com essas gestões. Foi
pessoalmente a Livorno, mas teve de se render diante da firme decisão da
princesa, ansiosa de reunir-se à sua nova família luso-brasileira e correr com ela
todos os riscos do momento revolucionário.
D. Leopoldina chegaria ao Brasil em 5 de novembro de 1817. Só então o rei
concordaria em que se cuidasse dos preparativos para a sua aclamação. Sentiase
D. João na plenitude dos seus poderes, prestigiado pela casa da Áustria,
sustentáculo da Santa Aliança, anteparo valioso á sua política de resistência
contra as pretensões espanholas, libertando-se afinal da opressiva predominância
britânica. O casamento do príncipe herdeiro fortalecia, por igual, o desejo de
continuar em seus domínios americanos, que ampliara com a conquista da Banda
Oriental, mantida a unidade territorial do colosso brasileiro com a repressão do
foco separatista em Pernambuco.
No ato da aclamação (6 de fevereiro de 1818), que marca o apogeu do seu
reinado, D. João manda suspender as devassas, conservando, contudo, nas
prisões mais de uma centena de brasileiros. No Sul, prosseguia a encarniçada
resistência de Artigas. Ficariam abertas as feridas de um lado e de outro lado.
Sem esquecer, ainda, a mágoa dos seus súditos que reclamavam a reintegração
européia do rei americano. O monarca passaria a viver, depois de aclamado, mais
um capítulo do seu drama político, entrevisto aliás por um observador estrangeiro,
L.F. de Tollenare, nas suas Notas dominicais (1816, 1817, 1818; trad. bras. 1905)
no instante em que se preparava o movimento revolucionário em Pernambuco: As
duas partes da monarquia acham-se mais em situação de inimizade do que de fraternidade, e na verdade é bem difícil administrar dois países que quase não
experimentaram a necessidade mútua de uma aliança e que, pelo contrário, possuem interesses opostos.
E, noutro passo, como que profetizando a inevitabilidade da separação,
acrescenta Tollenare: Certo é difícil ser ao mesmo tempo rei de Portugal e do
Brasil, e agir paternalmente para com dois povos que têm interesses tão opostos.
Um não pode viver sem o monopólio; o progresso do outro exige a sua supressão.