IRINEU, O VISIONÁRIO
A aprovação da tarifa Alves Branco, que majorou as taxas alfandegarias, e da lei Eusébio de Queirós, que em 1850 aboliu o trafico negreiro, liberando capitais para outras atividades, estimularam ainda mais uma serie de atividades urbanas no Brasil.
Sendo conveniente ao bem público remover todos os embaraços que possam tolher o livre giro e a circulação do comércio: e tendo consideração ao estado de abatimento, em nome de que presente se acha o nacional, interrompido pelos conhecidos estorvos e atuais circunstâncias da Europa: desejando animá-lo e promovê-lo em benefício da causa pública, pelos proveitos, que lhe resultam de se aumentarem os cabedais da Nação por meio de um maior número de trocas e transações mercantis, e querendo outrossim aumentar a navegação que prospere a marinha mercantil, e com ela a de guerra, e por sua conta carregadas em embarcações nacionais, e entrarem nas Alfândegas do Brasil,
Tendo em vista este desequilíbrio estrutural na legislação fiscal, o Império do Brasil nasceu tendendo a não conseguir organizar seu orçamento, já que, além das inúmeras obrigações político-militares que teve de assumir, em face do rompimento com a metrópole lusitana, ainda recepcionou tratados internacionais que lhe impediam de tributar, de modo significativo, a importação de mercadorias, nesse período surge, Irineu Evangelista de Souza, o Barão e Visconde de Mauá, uma das personalidades mais importantes do Brasil , que atuou nos mais diversos setores da economia urbana. Suas iniciativas iniciam-se em 1846, com a aquisição de um estabelecimento industrial na Ponta de Areia (Rio de Janeiro), onde foram desenvolvidas varias atividades, como fundição de ferro e bronze e construção naval.
No campo dos serviços Maua foi responsável pela produção de navios a vapor,estradas de ferro, comunicações telegráficas e bancos.Suas iniciativas representavam uma ameaça para os setores mais conservadores do governo e para o próprio imperador, que não lhe deu o devido apoio,tornou-se também deputado pela Província do Rio Grande do Sul em diversas legislatura. Suas estratégias empresariais em pleno século XIX estavam longe das praticadas pela sociedade escravista e bem mais próximas dos conceitos atuais, como globalização, tecnologia de ponta. Num país essencialmente rural e dependente da exportação agrícolas d produtos como café, açúcar e a borracha, a ação do maior empreendedor do Brasil contrariava os interesses do Império, pois oferecia a seus colaboradores mais próximos participação nos lucros e incentiva-os a criação de novos empreendimentos.
Sua postura liberal em defesa da abolição da escravatura e sua atitude contraria a Guerra do Paraguai, acabaram o isolando ainda mais, resultando na falência ou venda por preços reduzidos de suas empresas,deu a volta por cima e continuou a ser um dos mais ricos do Brasil porque era um visionário.
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